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Mostrando postagens de 2023

Educação Física, colonialidade e circulação de saberes no Sul Global

 A Educação Física Escolar, enquanto campo de conhecimento e prática pedagógica, foi historicamente constituída a partir de referenciais eurocentrados que estabeleceram padrões normativos sobre o corpo, o movimento e a saúde. Esses referenciais, produzidos no contexto da modernidade ocidental, foram amplamente difundidos nos países do Sul Global por meio de processos coloniais e pós-coloniais, influenciando currículos, metodologias e concepções pedagógicas até os dias atuais. A noção de colonialidade permite compreender como hierarquias raciais, culturais e epistemológicas permanecem operando mesmo após o fim formal do colonialismo. No campo da Educação Física, essa lógica se expressa na valorização de práticas corporais associadas à racionalidade europeia, ao desempenho físico e à normatização dos corpos, em detrimento de saberes corporais produzidos por povos africanos, afrodescendentes, indígenas e comunidades periféricas. No contexto do Sul Global, a circulação de saberes cor...

Práticas corporais afro-latino-americanas na Educação Física Escolar

  A s práticas corporais afro-latino-americanas constituem expressões históricas, culturais e políticas produzidas no contexto da diáspora africana nas Américas , marcadas por processos contínuos de resistência, reinvenção cultural e afirmação identitária . Na Educação Física Escolar , o reconhecimento dessas práticas representa uma possibilidade concreta de ampliação curricular e de enfrentamento das hierarquias culturais que, historicamente, estruturaram o ensino do corpo e do movimento no espaço escolar. Ao longo da formação social latino-americana, práticas corporais de matriz africana foram sistematicamente desvalorizadas, silenciadas ou reduzidas a manifestações folclóricas e festivas, desvinculadas de seus significados históricos e políticos. Em contrapartida, práticas oriundas de matrizes europeias foram naturalizadas como universais, neutras e cientificamente legítimas, ocupando lugar central nos currículos da Educação Física. Esse processo produziu um currículo seletiv...

Educação Física e diáspora africana na América Latina

  A compreensão da Educação Física Escolar a partir da diáspora africana na América Latina exige um deslocamento epistemológico, pedagógico e político das narrativas tradicionais que historicamente estruturaram esse componente curricular. Ao longo do processo colonial, os corpos negros foram submetidos a regimes de controle, disciplinamento e desumanização, que não apenas regularam o trabalho e a circulação desses corpos, mas também produziram impactos duradouros sobre a forma como o movimento, o corpo e a cultura corporal passaram a ser concebidos no campo educacional. A diáspora africana na América Latina não pode ser compreendida apenas como dispersão forçada de povos africanos, mas como um processo histórico de recriação cultural, resistência e produção de saberes corporais próprios. Em diferentes territórios latino-americanos, populações afrodescendentes elaboraram práticas corporais singulares — danças, jogos, lutas, ritmos, celebrações e formas de sociabilidade — que ...